Literatura Angolana

Literatura Angolana – Contexto sócio-histórico

A literatura Angolana é uma das mais ricas e criativas no universo lusófono. Essa literatura é escrita em língua portuguesa e também considera os dialetos de origem africana presentes nas ex-colônias portuguesas.

Literatura Angolana

Como país, Angola se tornaria independente somente em 1975 com o apoio do Brasil e das principais nações que compõem a ONU (Organização das Nações Unidas).

Quando falamos na literatura na África, sempre citamos os grandes escritores de Moçambique e Angola, sendo os mais próximos de nossa cultura brasileira por compartilharmos origens culturais similares.

A criação literária angolana surgiria antes mesmo da independência do país como nação, formalmente, a partir de 1950 por meio do movimento dos Novos Intelectuais de Angola.

Posteriormente, grandes escritores e jornalistas se tornaram em ícones na cultura do país que experimentaria um processo de alegria pós-independência política misturada com um governo socialista que não responderia às demandas da população nos anos 1970, além de guerras civis que prejudicaria a formação do país.

Sendo assim, a literatura angolana se inspira em temas como preconceito, dores geradas por castigos físicos, a perda de amigos e parentes, além da exclusão social.

No contexto do processo de independência, a criação literária no país ajudou Angola a superar diferentes desafios de pensamento social em seu processo histórico como ex-colônia.

Segundo os historiadores e críticos literários, a criação no país ajudou no processo de análise crítica e construção de campanhas libertadoras a favor da formação de um país.

Até os dias atuais, o cidadão angolano é apontado por viver entre duas realidades: a de origem européia e os costumes da sociedade africana. Dessa forma, notamos que os textos do país cuidam dos conflitos resultantes dessas duas realidades.

Recentemente, no ano de 2016, foi instituída a Academia Angolana de Letras e seu estatuto editado no Diário da República, edição n.º57, de 28 de Março de 2016. A AAL é considerada uma associação privada sem fins lucrativos, de carácter cultural e científico e seus criadores têm os nomes de escritores angolanos da cultura atual.

Origem da literatura Angolana

Apesar de atividades literárias realizadas anteriormente, formalmente ela surgiria no final da primeira metade do século XX, a partir das atividades de um grupo de intelectuais que decidiu rejeitar a influência européia e implementar traços das culturas locais africanas para a formação de um tipo de literatura genuinamente nacional.

Entre os anos 1940 e 1960, quando Portugal demonstrava menor interesse e poder de gestão em relação às suas colônias, as colônias portuguesas como Angola e Moçambique começaram a perceber uma intensa necessidade de construir a sua própria imagem intelectual sem necessitar das informações e criações européias.

Na década de 1950, um grupo de jovens lançou-se ao desafio de “descobrir Angola” através das letras.

Começaria o surgimento de uma nova consciência africana e nacional para a geração e identificação da própria identidade cultural se inspirando, em parte, na experiência do desenvolvimento da literatura brasileira.

Em seus primeiros anos, a literatura angolana se posicionou como um ponto de contestação, na maioria dos casos, realizada na clandestinidade e no ambiente de guerrilha.

Grande parte das obras abordava sentimento e temas ligados ao desejo de liberdade, a denúncia de castigos, discriminação e defesa de direitos.

As primeiras publicações também incentivaram o povo angolano a lutar a favor da independência do país. Historicamente, a origem dessa literatura possui ligação com o urbanismo, com o processo de transformações sociais e de mudanças em todas as direções.

Devemos lembrar que esse processo ocorre a partir do despertar da consciência de toda uma sociedade, principalmente, depois da Segunda Guerra Mundial.

Literatura angolana – contexto histórico

Como citamos anteriormente, o surgimento de uma criação literária no país está atrelado à busca de identificação cultural e linguística com os fatores africanos, nacionais e sociais do povo angolano.

Historicamente, na primeira metade do século XIX, eram identificadas as primeiras tentativas de publicação de origem nacional, podemos citar o livro de poemas de José da Silva Maia Ferreira, “Espontaneidades da Minha Alma”, que foi impresso em Luanda em 1849.

Essa obra é considerada como o primeiro volume de poemas publicados em todos os países africanos de língua oficial portuguesa.

Períodos da literatura angolana  

Em diferentes livros que estudam os movimentos literários de diversos países, os períodos literários podem variar, principalmente, no caso de países que possuem um histórico mais recente em relação à sua criação formal.

Em Angola, o desenvolvimento da literatura esteve atrelada à imprensa. Até o século XX, o desenvolvimento da imprensa e da literatura, ambos caminharam juntos.

Nesse contexto, Pedro Alexandrino da Cunha é considerado o fundador da imprensa em Angola. Antes dele ser empossado no cargo de Governador-geral da província de Angola, posse que ocorreria em 6 de Setembro de 1845, autoriza a impressão do primeiro número do Boletim Oficial.

Esse veículo era um jornal oficial do governo e mesmo sendo rudimentar é considerado como partida para o desenvolvimento do jornalismo no país.

Ainda no século XIX, se tornaria no primeiro veículo de propagação literária na região da colônia, pois o veículo além de publicar as atividades do governo, também veiculava reportagens e anúncios, artigos e estudos tratando da política colonial ou religiosa, da economia da colónia, descrições das viagens dos exploradores e textos em prosa e verso e demais conteúdos com peso literário.

Mas, quando falamos em períodos, podemos citar que a literatura na região possui três períodos essenciais:

1º – O primeiro período começou a 13 de Setembro de 1845, com a publicação do primeiro número do Boletim Oficial;

2º – O segundo período teve início com o aparecimento da revista A Civilização da África Portuguesa  em 6 de Dezembro de 1866;

3º – O terceiro período teve início a 16 de Agosto de 1923, com o início da edição do diário A Província de Angola, por Adolfo Pina.  

Em nível de formação jornalística, ainda no final do século XIX, a então colônia portuguesa veria o surgimento dos primeiros periódicos africanos em Angola.

Dentre os primeiros periódicos, podemos citar:

  • O Echo de Angola, fundado em 1881 e, posteriormente, Futuro de Angola (1882); 
  • O Pharol do Povo (1883); 
  • O Arauto Africano (1889); 
  • Muen’exi (1889); 
  • O Desastre (1889);
  • O Polícia Africano (1890).

Porém, nos anos 1970, depois da proclamação da independência, teríamos em Angola o surgimento da “Geração Silenciada”, que continuou a enfrentar dificuldades de liberdade de expressão devido à guerra civil e ao regime socialista fechado.

Nos anos 1980, a literatura angolana teria a “Geração das Incertezas” que procurava responder às questões cercadas por dúvidas sociais e econômicas.

Principais características e autores

Precisamos que o autor José da Silva Maia Ferreira é um dos autores mais importantes para a história literária no país, sendo responsável pelo processo de surgimento da literatura formal no país.

É considerado como o primeiro poeta angolano que conseguiria publicar suas obras em versos, e também reconhecido como o primeiro autor nacional que conseguiria publicar uma obra impressa no país.

Nos dias atuais, a literatura angolana se dedica aos temas sociais, urbanos e psicológicos, e busca corresponder às demandas atuais do cidadão.

Desenvolvimento da literatura angolana

Desenvolvimento da literatura angolana

Como descrevemos anteriormente, o desenvolvimento literário angolano inicia ainda no período colonial, se intensifica com o surgimento da imprensa no final do século XIX e se desenvolve com mais força depois da Segunda Guerra Mundial, procurando por novas temáticas e mais força depois da independência do país nos anos 1970.

Conclusão

Nos dias atuais, tem crescido no Brasil o interesse por conhecer a literatura de países irmãos como Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe, como forma de compreender a formação cultural e histórica no universo lusófono.

Carinhosamente
Marcos Mariano

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