Caio Evangelista lança “Os Negos do Outro Lado”


Uma obra sobre racismo e discriminação

Leci Brandão apresenta a obra de realismo fantástico que trata de racismo e outras formas de discriminação, com o Rio São Francisco como cenário para toda a trama.

Se a pandemia trouxe grandes mudanças tecnológicas, o desrespeito às diferenças insiste em permanecer. São ações, hábitos, situações, falas e pensamentos que fazem parte da vida cotidiana do povo brasileiro, e que promovem, direta ou indiretamente, o preconceito racial. Um processo que atinge tão duramente a população negra. De acordo com a última Pesquisa PoderData81% dos brasileiros dizem haver preconceito contra negros no país por causa da cor da pele.  Para chamar atenção para essa questão e outras formas de segregação, o autor Caio Evangelista, apresenta o romance de realismo fantástico, “Os Negos do Outro Lado”publicado pela Editora Brazil Publishing, dentro de seu selo literário Lumos.

O livro narra em prosa poética, um Brasil real muitas vezes violento e embrutecido, ao mesmo tempo, um lugar mágico com personagens contraditórios e complexos da Quilombola de Jatobá construídos nas margens do Rio São Francisco. Uma comunidade que vive em conflitos étnicos, raciais e superstições e ainda hoje, sem leis e à mercê de crimes, delitos e injustiças que, muitas vezes, só podem ser vistos pelos que conseguem enxergar para além das invisibilidades da sociedade brasileira, principalmente quando se trata de negros e pobres.  

Eu vi o Brasil assim, dual, separado por um rio, polarizado e voltando ao passado com as políticas e programas regredindo, então imaginei uma ponte que unisse o povo, então a imagem de Juazeiro e Petrolina me veio a mente, nasci nessa região e fui costurando, alinhavandoAquela gente deve ser revelada por suas complexidades, estranhezas, belezas, violências sofridas, abandonos e ao mesmo tempo sua dual felicidade”, revela Caio Evangelista. 

Em “Os Negos do Outro Lado”, o nosso herói, Raimundo, nos leva nas águas do Rio São Francisco na busca da história do Brasil e dos brasileiros durante 200 anos. Ele também nos apresenta o simpático casal de comentaristas da vida cotidiana, Redonda e Dimas; esses dois destilam o relato da crônica da Povoação do Jatobá (hoje Petrolina – PE) ao decorrer da história, e nos contam todas as anedotas sobre os demais personagens: as verdadeiras e imaginadas também. 

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 Ao contar as histórias e tantas vezes deformá-las, o narrador nos leva a identificar nos Raimundos as suas ambiguidades, postas nas bocas de Dimas e Redonda envoltas de misticismo, poesia e realidade nua e crua. É às margens do rio São Francisco uma série de acontecimentos mágicos ligando as personagens, num formato alternativamente teatral e narrativo, nos instiga a saber dos animais, da natureza e das coisas do povo deste e do outro lado, que fizeram memória e formaram uma povoação.  

“Os Negos do outro lado” por Leci Brandão

“A primeira vez que estive em Petrolina fui arrebatada pela imagem do Rio São Francisco, ou Velho Chico, como dizem os que nasceram às suas margens. Mas além da paisagem, fiquei ainda mais envolvida pelas pessoas que ali conheci. Ao receber o convite para fazer esses breves comentários sobre Caio Evangelista e seu livro, “Os Negos do outro lado”, que nos remete não apenas às paisagens do semiárido pernambucano, mas também aos jeitos de ser das gentes que lá vivem, é inevitável pensar na riqueza da diversidade do povo brasileiro. Apresentar essa diversidade por meio de uma linguagem que nos embala entre o real e o imaginário é, certamente, o mérito desta obra. Entremeando tudo isso estão os pilares sobre as quais se constituiu a formação da sociedade brasileira: o racismo, a opressão das mulheres, o abandono dos pobres e as injustiças sobre os mais fracos. Eu não poderia deixar de dizer da minha satisfação em apresentar este livro que, de forma poética, também aponta as injustiças do nosso país”, ressalta Leci. (Anexo a íntegra do texto da Leci Brandão)

Minibiografia:

Edimilson Caio Evangelista é autor de textos para teatro e de três livros de realismo fantástico publicados: “Teatro empírico da outra margem do rio”, “Carta aos Capadócios e O Filtro dos Sonhos”,” Heleny Guariba – luta e paixão no teatro brasileiro”, sendo OS NEGOS DO OUTRO LADO seu quarto romance em prosa poética, em que o realismo maravilhoso é ainda mais aprofundando e incorpora o projeto autoral “O Encantador de Mentes”.

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Atuou, dirigiu e adaptou peças de teatro comoOs mansos da Terra, Auto da Compadecida, Capitães da Areia7 aleluias, a ópera, Saudade, Ópera da Terra Pilar dentre outras. 

Como Gestor público comandou a Secretaria de Cultura e Juventude de Mauá/SP e criou o Centro de Formação Cultural Apolo.

Notas sobre “Os Negos do outro lado”

A primeira vez que estive em Petrolina fui arrebatada pela imagem do Rio São Francisco, ou Velho Chico, como dizem os que nasceram às suas margens. Mas além da paisagem, fiquei ainda mais envolvida pelas pessoas que ali conheci. Ao receber o convite para fazer esses breves comentários sobre Caio Evangelista e seu livro, “Os Negos do outro lado”, que nos remete não apenas às paisagens do semiárido pernambucano, mas também aos jeitos de ser das gentes que lá vivem, é inevitável pensar na riqueza da diversidade do povo brasileiro. Apresentar essa diversidade por meio de uma linguagem que nos embala entre o real e o imaginário é, certamente, o mérito desta obra e o que desperta o interesse de seu leitor.

Em seu quarto romance, Caio fala de um Brasil real, muitas vezes violento e embrutecido, ao mesmo tempo, também se refere a um lugar mágico e poético, com personagens contraditórios e complexos e que, muitas vezes, só podem ser vistos pelos que conseguem enxergar para além das invisibilidades que permeiam a sociedade brasileira, principalmente quando se trata de negros e pobres.

Neste livro, Caio apresenta um narrador que costura fatos, compondo várias histórias que se entrelaçam, conduzindo e alertando o leitor não apenas sobre o ritmo da narrativa, mas contextualizando-a a partir de fatos históricos. Assim como acontece com o narrador, somos nós, leitores, “batizados aos poucos nas águas dessa história”.

Real e imaginário se confundem a todo momento nos “causos” contados por Raimundo, Redonda e Dimas. Lugares, árvores e animais se tornam personagens muitas vezes determinantes da narrativa. O jatobazeiro que dá nome ao povoado de Jatobá (atual Petrolina), a Ilha do Fogo, a Pedra Linda e o cachorro Lorde são, entre outros, elementos importantes no desenrolar das histórias que têm como pano de fundo fatos como a Conjuração Baiana, a seca de 1877 no Nordeste ou a visita de D. Pedro II à região.

Entremeando tudo isso estão os pilares sobre as quais se constituiu a formação da sociedade brasileira: o racismo, a opressão das mulheres, o abandono dos pobres e as injustiças sobre os mais fracos, fatores que não poderiam passar despercebidos pelo olhar aguçado de Caio Evangelista, que tem no Direito, no Teatro e na Educação as bases de sua formação acadêmica e sua trajetória profissional.

Portanto, como artista que construiu toda sua trajetória falando das questões sociais vividas pelo nosso povo, eu não poderia deixar de dizer da minha satisfação em apresentar este livro que, de forma poética, também aponta as injustiças do nosso país.

Leci Brandão

Boa leitura!

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Serviço: 

Lançamento do Livro “Os Negos do Outro Lado”

Livro Os Negos do Outro Lado
Livro Os Negos do Outro Lado

Autor: Caio Evangelista

Ilustrações: Cristiane Carbone

Romance em prosa poética de realismo fantástico

160 páginas

Publicado pela editora Brazil Publishing

Release enviado em 15/06/2021
Fonte: Luiz Menna Barreto

Marcos Mariano

Tenho 28 anos de idade e sou apaixonado por jogos, animes, tecnologia e literatura. Atualmente estudo Análise e Desenvolvimento de Sistemas e mato meu tempo escrevendo qualquer coisa que passe pela minha cabeça.

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